Nasci Novamente

Nasci Novamente

Há anos convivendo com fortes dores na coluna, recebendo diagnósticos variados, realizando cirurgias e inúmeras visitas a médicos,finalmente o engenheiro eletricista Marcio Henrique Doniak, de 36 anos, descobriu o que lhe causava todo este desconforto. Após consultar um especialista em tumor ósseo, descobriu que infelizmente tinha um tumor raro em sua coluna.

Foram dois meses de muita luta no HNSG, incluindo duas semanas inconsciente, porém tudo acabou com um sentimento indescritível de NASCER DE VOLTA. O apoio incondicional da sua esposa Ana Cristina, de sua filha Lara, família e amigos foram fundamentais. Não deixe de ler esta emocionante história de superação.

O HNSG na minha vida

Desde 2008 eu vinha pesquisando o motivo de fortes dores na coluna, na região sacra, que é especialmente delicada pelo difícil acesso. Cheguei a realizar duas cirurgias ortopédicas no quadril em 2014, possivelmente motivadas pela falta de estabilidade na região, mas só no início de 2015, ao consultar um especialista em tumor ósseo em Curitiba, tive o diagnóstico correto.

Até então, os médicos suspeitavam de hérnia de disco e hemangioma, mas após a biópsia outro diagnóstico ficou confirmado: eu tinha um tumor de gordura, excepcionalmente raro nesta região do corpo.

Mesmo benigno, o tumor já havia consumido 50% do osso entre três vértebras, em uma região altamente nobre e enervada, bem na base da coluna. Antes da cirurgia a dor era tão intensa que comprometia todas as atividades da minha vida, do sono à prática de esportes, passando pela frustrante interrupção do doutorado em Telecomunicações.

A princípio, receber a notícia despertou uma avalanche de sentimentos. Por um lado eu não tinha escolha. A cirurgia era minha única chance de cura. Procurei especialistas em Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. Os familiares médicos insistiram para que eu buscasse mais uma opinião em São Paulo, mas senti muita confiança no Dr. Márcio Moura, que é um cirurgião ortopédico, PhD na área, referência no Brasil em tumor ósseo.

Assim que iniciei as consultas com Dr. Márcio, em Curitiba, compreendi a dimensão do problema e as chances de sequela, inclusive de paralisia. Para alguém como eu, que sempre gostou de esportes, correndo até mesmo uma meia maratona nos Estados Unidos, isso implicaria em uma mudança radical de vida. Mas desde o início senti muita confiança no Dr. Márcio e sua equipe. Nas mãos dele, estava a minha cura, a minha vida e a vida da minha família.

Somando a dimensão do procedimento com as dores insuportáveis, o período pré-cirurgia foi de grande ansiedade. Eu já não conseguia nem me concentrar para escrever um e-mail. Felizmente, eu não estava sozinho. Contava com a sorte de ser professor universitário, servidor público federal, o que facilita o afastamento do trabalho, e com a parceria permanente da minha esposa.

Desde o primeiro exame de imagem, ela me pressionou insistentemente para buscar um diagnóstico preciso e na sequência o melhor tratamento. O apoio dela em cada decisão, a presença nas consultas e a certeza de que estaria ali pro que der e vier trouxeram a confiança que eu precisava para agendar a cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Graças. Para o cirurgião responsável, ali eu encontraria a qualidade necessária tanto no centro cirúrgico quanto no pós-operatório.

A princípio a cirurgia agendada para 18 de maio levaria 10 horas, seguida por três dias sob monitoramento na UTI. Sempre soubemos que não seria simples, mas nunca, nem nas piores especulações, visualizamos a dor e o medo que enfrentaríamos. Pela dificuldade de acesso à região, pelo fato de os ossos sangrarem muito e outras complicações, a cirurgia durou 15 horas e acabei entrando em choque pela perda gigante de sangue.

Com habilidade e agilidade, os médicos contornaram a situação com uma transfusão de seis bolsas. Nada disso estava previsto, e como não havia AB- suficiente no estoque, a solução foi misturar diferentes tipos sanguíneos, o que acarretou uma reação do pulmão pelo excesso de “corpo estranho”.

Fui encaminhado à UTI naquela madrugada com a ventilação seriamente comprometida e 100% de respiração artificial. Ao todo foram 15 dias em coma induzido de um total de 19 dias na UTI, seguidos por 25 de internação, uma semana em casa, e mais 12 dias de reinternação.

No período em coma, eu não tinha consciência do que se passava, mas em duas ocasiões senti a morte muito de perto. Não era uma sensação física, mas espiritual. Lembro de desejar que a minha esposa e filha estivessem ali comigo, porque eu queria muito me despedir delas. Mais tarde, a equipe confirmou a gravidade da situação. Somando a trali (lesão grave do pulmão associada à transfusão) a uma pneumonia – o que é previsível pela longa permanência na UTI -, só reagi mesmo porque os intensivistas tomaram as decisões certas na hora certa. Foram extremamente precisos.

Minha família estava a par da gravidade da situação, mas se manteve confiante na minha capacidade de recuperação pelo meu histórico de saúde. Sempre pratiquei exercícios, não sou tabagista nem tenho sobrepeso e nunca tive nenhuma doença crônica, como diabetes ou colesterol, e isso mantinha a esperança acesa, por mais que todos os equipamentos apitassem “apneia” e outros déficits.

Em meio à confusão mental, pelo excesso de medicamentos, comecei a perceber que eu ainda estava vivo e foi só isso que me concentrei: na vida. Apesar do desconforto da traqueostomia, das mãos amarradas para não mexer nos tubos e toda aquela condição de fragilidade (perdi mais de 10 quilos na UTI), não pensei na morte e sim em resistir o quanto fosse necessário. Queria muito voltar para casa com a minha família.

Quando fui transferido para o quarto, os desafios se sucederam, com a diferença que a partir daí eu também faria a diferença. Os resultados dependiam muito de mim, do meu esforço e da minha dieta. Aos poucos consegui ficar em pé com o auxílio do andador; passei a andar com extremo sacrifício pois as pernas não sustentavam o peso do corpo, mas quando deixei o hospital, dois meses após a cirurgia, já saí caminhando. Devagar mas sozinho. Tive muita sorte de ter um médico com uma equipe maravilhosa, competente e dedicada. Realizei a cirurgia em um hospital focado na recuperação do paciente, com uma excelente infraestrutura, taxa zero de infecção hospitalar e um carinho exemplar.

Quando recebi a notícia da alta, foi como um sonho realizado. Apesar do cuidado que me dispensavam no hospital, a quantidade de medicamentos e o confinamento no quarto já estavam comprometendo o meu ânimo. Quando deram a notícia, minha filha de 9 anos estava junto e correu abraçar o médico. Ela não se conteve pois era um momento muito aguardado. Desde então, minha prioridade é a cicatrização da ferida, a alimentação para recuperar meu peso e o fortalecimento muscular. Todos os dias percebo uma grande diferença e sou muito grato a cada um que me trouxe suporte no momento mais traumático da minha vida.

Minha mensagem

Nos dois meses em que fiquei hospitalizado realizei mais de 10 cirurgias, entre a principal para a ressecção do tumor e as seguintes, para troca de curativo a vácuo, todas com anestesia geral. Tive o privilégio de ter familiares amorosos e disponíveis em Curitiba, de ter pais saudáveis que não pouparam sacrifícios para cuidar de mim, de contar com o amor incondicional da minha esposa e filha, de ter amigos verdadeiros e de manter o pensamento positivo, obstinadamente. Diversas correntes de orações foram feitas e a fé me ajudou a confiar que tudo iria ficar bem. Esta combinação, junto com a sorte de não ter nenhuma doença de base, fez com que eu nascesse novamente. Qualquer pessoa que está passando por um momento difícil precisa se agarrar na esperança e na fé, porque a postura positiva tem poder.


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