Isso vai passar

Davi deu força e inspiração para Sofia durante o tratamento.

Isso vai passar

O significado do nome Davi é “querido, amado”. E foi sempre pensando no Davi, seu filho amado, que Sofia Gaertner venceu um tratamento para leucemia. Foi uma fase difícil, mas com muita fé e força, hoje ela pode dizer que tudo passou. Conheça sua linda história de superação.

Era julho de 2011 e tudo ia bem em minha vida. Até que dois dias após o batizado do meu filho, que na época tinha dois meses de vida, comecei a ter febre, ínguas e dor nas costas. Foi tudo muito rápido e intenso, cada dia que passava aparecia mais um sintoma. Até que veio a sudorese e aumento de dor, ao ponto de no dia 13 de julho eu estar em uma cadeira de rodas, de tanta fraqueza.

No dia 15 de julho foi confirmado que eu estava com leucemia aguda, e para identificar o tipo teria que fazer a punção. Na época eu morava no estado de Mato Grosso do Sul e na mesma hora fui encaminhada para o Hospital Nossa Senhora das Graças em Curitiba. O médico que me atendeu em MS conhecia o Dr. Eurípides Ferreira e me aconselhou tratar com ele por confiar no seu trabalho.

Dia 18 de julho, dei entrada no HNSG, quem me recepcionou foi o Dr. Michel, integrante da equipe do Dr Eurípides. No primeiro dia fiz uma bateria de exames, incluindo a punção na medula. Ali foi constatado que a minha leucemia era a linfoblástica aguda e já precisaríamos entrar no centro cirúrgico no outro dia para a colocação do cateter e assim dar início ao tratamento. Como mencionei anteriormente, foi tudo muito rápido, e quando eu falo isso é em relação a tudo, sintomas e início das quimioterapias.

Antes do batizado do Davi eu nunca senti nada, nenhum sintoma. Minha gestação foi acompanhada de perto por profissionais capacitados, tive parto normal e sempre tudo esteve ok. Realmente a Leucemia não tinha nada a ver com a gestação como muitos me perguntam. Ela era do tipo “intensa” e veio com tudo.

Mas com a graça de Deus e profissionais MARAVILHOSOS tudo fluiu da melhor maneira, mesmo com todos os contratempos que o tratamento traz. Eu tenho comigo um sentimento de gratidão muito forte com o Hospital Nossa Senhora das Graças. Fui acolhida da melhor maneira por todos, por todos os setores do Hospital. Consegui alugar um apartamento em frente ao HNSG e dessa forma eu via meu filho todos os dias, inclusive nossas janelas davam vista uma para outra. Muitas vezes juntava algumas enfermeiras, os palhaços Anjos da Alegria e eu ligava para casa, cantávamos ao celular para o Davi escutar enquanto ele nos via pela janela. Isso não tem preço. Sentir o carinho e amor por todos, acabou tornando todo o processo mais leve.

Tive momentos muito difíceis, sim, fisicamente e psicologicamente falando. Com o uso alto de corticoide junto com as quimioterapias os problemas vieram, inclusive fraturas na coluna sendo necessário refazer duas vértebras através de enxerto de cimento, além de outros imprevistos. Nessas horas, eu procurava ficar calma e agradecer a oportunidade de estar rodeada de médicos competentes que sabiam o que estava acontecendo e, consequentemente, sabiam resolver.

Bom, desde o início os médicos já começaram as buscas por doador de medula, primeiro dentro da minha família, mas não tivemos sucesso. Então por meio do banco nacional e internacional acharam um doador 100% compatível. Tentei ficar calma nesse período de buscas pois antes de mais nada eu tinha que acabar o protocolo de quimioterapia. Então deixei nas mãos de Deus e dos médicos…

Lá na primeira semana de tratamento eu escutei um conselho da Dra. Larissa que me marcou muito. Quando ela entrou em meu quarto eu perguntei a ela qual a porcentagem para eu sobreviver, até porque eu percebia a aflição de todos ao meu redor. Ela muito calma fez um pedido: “Vamos dividir as responsabilidades, ficas com 50% do tratamento cuidando da tua mente e focando no teu filho e nós, médicos, ficamos com os 50% nos preocupando com as escolhas de remédios e tratamentos”.

Aquilo me marcou muito e eu acatei. Desde aquele momento sempre tinha na minha cabeça pensamentos positivos, chegava a imaginar eu e meu filho correndo pela praia, ele já grande…. Sempre pensando no futuro, até porque o que eu mais queria era estar perto dele, acompanhando seu crescimento. Então sempre que algo me abalava, eu tentava mudar o foco e pensar no Davi. E assim tentei fazer também no período de buscas do doador.

Comecei a sentir um nervosismo grande quando foi confirmada a compatibilidade com doador, eu só sabia que ele tinha praticamente a minha idade, era homem e morava nos Estados Unidos. Procurei Dr. Eurípides para ele me esclarecer todos os riscos do transplante e depois dessa conversa me senti preparada para a etapa do TMO.

O transplante em si foi um dos momentos mais difíceis de tudo, o isolamento, as drogas fornecidas… Era um conjunto de coisas que eu tinha que tomar muito cuidado para não me abalar e acabar atrapalhando o sucesso. Eu conversava demais comigo mesma, com meu corpo. Durante o processo de transplante que durou cerca de 5 horas eu escutava uma música chamada “Amazing Grace” e então conversava com o meu corpo, pedindo a aceitação da nova medula.

Como o bom humor sempre fez parte de mim, eu chegava a dizer: “Vamos ser legais aí, hein?! A medula é gente fina, vamos dar uma bela recepção, deixem ela entrar no meu corpo, tratem ela bem!”. E assim, 17 dias depois houve a pega da medula, e o sentimento que eu tive na verdade nem sei explicar. Uma gratidão misturada com felicidade, choro, ansiedade em voltar para meu filho…

MINHA MENSAGEM

Hoje posso dizer que aprendi demais com a doença. Uma das lições mais marcantes é que temos que aproveitar o dia de hoje, não sabemos do amanhã. Meio clichê não é mesmo? Mas é a pura verdade! Podemos dormir planejando o dia de amanhã e ele não sair como queríamos. E tem mais…. Que tal darmos valor as pequenas coisas da vida? Você já parou para agradecer a oportunidade que tens em tomar um banho sozinho? Você ter a capacidade e habilidade de fazer isso é maravilhoso, acredite.

Tento ao máximo passar esse conhecimento para meu filho, temos que agradecer todos os dias pois conseguimos sentar em uma mesa e comer as refeições. Temos que dar amor as pessoas, reclamar menos…

Interessante é que hoje um simples pão com ovo me dá uma satisfação inimaginável, pois nos períodos de mucosite eu só queria conseguir comer, mas os ferimentos não deixavam.

Hoje minha vida está maravilhosa, o Davi já está com 8 anos, não me chama mais de mamãe, até porque ele já é grande, como ele mesmo diz! Fazer parte disso tudo é maravilhoso! Eu e ele tivemos uma experiência incrível final do ano de 2018. Pegamos um avião para nossa primeira viagem internacional e conhecemos meu doador de medula! Ah… Sem palavras para descrever o momento! Davi entregou um cartão com uma máscara de super-herói para o doador. Mantemos contato até hoje, ele é o cara!

Para você que teve a paciência de ler até o final e está passando por algum tipo de tratamento gostaria de dizer algo… Tenha seus momentos de tristeza, faça deles MOMENTOS. Chore, fique bravo, sem problemas. Mas depois disso, sorria, isso vai passar! Por mais que você ache que não vai passar, acredite, passa! E depois que passa vale tanto a pena… A Vida vale MUITO a pena ser vivida… 


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