Saúde de quem vive em Curitiba

Problemas respiratórios, imunidade baixa, falta de vitamina D, depressão sazonal, são algumas das doenças que mais afetam os curitibanos

Por Mônica Neves

Todo bom curitibano já sabe: a capital paranaense é uma das cidades conhecidas com um dos maiores índices de instabilidade climática do país. O clima pode mudar em questão de minutos, e as quatro estações do ano podem ser observadas com o passar das horas.

Com termômetros oscilando entre 7ºC e 30ºC, a saúde fica comprometida e não há imunidade que aguente passar de uma temperatura para outra sem o corpo sentir.

O outono e inverno são períodos do ano nos quais habitualmente as doenças respiratórias aumentam na cidade. “O clima frio aumenta os casos de bronquites, sinusites, traqueítes, alergias e doenças respiratórias”, afirma o médico otorrinolaringologista do HNSG, Dr. Herton Coiffman.

Existem dois tipos de doenças respiratórias, mais propensas às imunológicas e as infecciosas. As doenças imunológicas ocorrem quando o sistema imunológico não está funcionando corretamente e como resultado as pessoas ficam mais suscetíveis a contrair doenças como a rinite, ou outras de quadro alérgico. Já doenças infecciosas são aquelas, causadas por vírus ou bactérias, conhecidas como as gripes, resfriados e sinusites.

Para amenizar estes problemas o especialista alerta. “É importante sempre sair bem agasalhado nos dias de frio, e colocar sempre os casacos e roupas de cama no sol para eliminar os ácaros”, orienta. “A umidade, o mofo e os ácaros se alojam entre os tecidos e isso facilita o contato com as pessoas, resultando em irritações”, destaca.

O médico também recomenda evitar ambientes fechados e com aglomerações, devido a “socialização dos germes” – um dos fatores que podem comprometer a imunidade. “Para melhorar a imunidade, além de evitar estes ambientes, uma boa alimentação e dormir bem, são essenciais”, diz o médico.

A nutricionista do HNSG, Rosangela Teodorovicz, indica: “Para melhorar o sistema imunológico, a alimentação deve ser rica em frutas cítricas, alho, gengibre, cenoura, couve, tomate, feijões, leite, cereais integrais, nozes, mel e leite fermentado”, destaca.

 

 

Vitamina D

Além dos cuidados com a saúde respiratória, a falta de vitamina D, também é bastante comum. O sol é responsável por cerca de 90% da aquisição da vitamina. Porém no ano passado, Curitiba registrou apenas 116 dias de sol.

Os dados são de um aplicativo criado pela Embratur. Pela ferramenta,disponível na internet, é possível ver as cidades que menos tiveram incidência de sol em 2013. A capital paranaense teve menos dias de sol que Londres, que registrou 142 dias ensolarados.

A maior parte da vitamina D no organismo, é obtida luz do sol. Sua falta no organismo, pode trazer sérias consequências.“O mais grave é a alteração do metabolismo ósseo, com perda de massa óssea, que pode causar osteoporose e consequentemente a fraturas”, afirma o médico ortopedista do HNSG, Dr. Renato Raad,

De acordo com o especialista, esta é uma condição sem sintomas, e o paciente somente acaba descobrindo a falta de vitamina, quando vai a uma consulta médica, ou após sofrer uma fratura. “ A falta da vitamina é diagnosticada pelo exame de sangue ou pela densitometria óssea”, explica o médico.

O tratamento é feito com reposição da vitamina, exposição ao sol e atividades físicas. “Devemos ficar o máximo de tempo no sol, com no mínimo 30 minutos por dia”, orienta Dr. Raad. A região do tórax é a parte do corpo que mais deve ficar exposta. Quanto aos horários, o médico recomenda, que o ideal é tomar sol até às 10h e depois das 16h. “Nestes horários não necessita utilizar o filtro solar e sem dúvida devemos usá-lo nos outros horários”, destaca.

Depressão Sazonal

Para algumas pessoas os dias sem sol, podem ocasionar preguiça, mau-humor, desânimo e tristeza. Dependendo do grau dos sintomas, essa oscilação de humor pode ser o que a medicina denomina como depressão sazonal.

O psiquiatra do HNSG, Dr. Augusto Canto, explica que a depressão sazonal é um padrão de episódios depressivos em determinadas estações do ano – mais comumente no início do outono e inverno, com remissão na primavera e no verão. A doença, acomete mais as mulheres, e os sintomas são atípicos. “Sonolência excessiva, aumento do apetite,ausência de ânimo, preguiça, ganho de peso e desejo por carboidratos são frequentes”, alerta.

A doença pode corresponder por até 10% de casos da população com depressão. “Caso você, ou pessoas por perto, percebam que seu humor fica mais depressivo, nesses períodos do ano, consecutivos por mais de dois anos, você poderá sofrer de depressão sazonal”, alerta o médico. O tratamento é feito com fototerapia e antidepressivos. “É muito importante procurar ajuda de um especialista pois existe tratamento eficaz”, destaca o médico.

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