Inseminação Artificial ou Fertilização in vitro?

Apesar de agirem com o mesmo propósito, técnicas para ajudar a engravidar possuem especificidades diferentes

Por Mônica Neves

Para muitos casais o maior sonho é ter um filho, no entanto, a infertilidade é um problema que atualmente acomete 15% dos casais em idade reprodutiva. Mas, graças ao avanço atual da medicina, hoje é possível que casais inférteis tenham filhos de forma eficiente e segura, através das técnicas de reprodução assistida.

O ginecologista, obstetra e especialista em fertilização do Hospital Nossa Senhora das Graças, Dr. Francisco Furtado Filho, comenta que é crescente a procura de muitas mulheres pelo congelamento de óvulos. “Essa técnica nos permite armazenar de forma segura os óvulos congelados dessas pacientes, com objetivo de que, caso tenham dificuldades para engravidar naturalmente no futuro possam ter à disposição seus óvulos próprios”, afirma.

As duas técnicas de reprodução assistida mais utilizadas são a inseminação artificial e a fertilização in vitro, que apesar de terem o mesmo propósito, são diferentes.

O tratamento de inseminação artificial, conhecido também por inseminação intrauterina, consiste e estimular de forma leve os ovários, acompanhar a ovulação, e no momento que a mulher estiver ovulando a introdução pela cavidade uterina dos espermatozoides – coletados e preparados em laboratório. “Basicamente a inseminação artificial diminui a distância entre óvulo e espermatozoide para facilitar a gravidez”, explica o médico. “Por isso, para ser efetiva é preciso que o quadro de infertilidade seja leve e de simples solução”, acrescenta o especialista.

Já, ao contrário da inseminação artificial, a fertilização in vitro, é um tratamento de alta complexidade, indicado para mulheres com idade superior a 35 anos, em casos mais avançados de infertilidade, e que provavelmente não teriam bons resultados com a inseminação artificial devido ao envelhecimento dos óvulos. Também indicada quando existe impedimento para a fecundação espontânea, como por exemplo, obstruções nas trompas.

O médico destaca que a fertilização in vitro foi justamente popularizada com o nome de bebê de proveta, porque a fecundação do óvulo acontece dentro do ambiente do laboratório. “Seu processo inicia da mesma forma que a inseminação artificial, também com a estimulação dos ovários e seu acompanhamento até o estágio de amadurecimento dos óvulos. Quando os óvulos estão maduros, eles são coletados por meio de punção e levados ao laboratório, onde juntamente com o sêmen coletado e preparado vai acontecer a fecundação”, diz Dr. Francisco.

Segundo o especialista, existem duas técnicas diferentes para fecundar os óvulos na fertilização in vitro. Uma delas é colocar em uma placa de cultivo no óvulo rodeado de espermatozoides para que um deles penetre no óvulo, e outra, é selecionar um único espermatozoide e injetá-lo diretamente dentro do óvulo – técnica chamada de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) indicada para casos mais severos de infertilidade masculina. No tratamento de fertilização in vitro ainda é possível gerar mais embriões e escolher quantos serão transferidos. “Dessa forma, mesmo que a mulher consiga obter vários óvulos maduros e que estes evoluam bem ao estágio de embrião, são transferidos apenas a quantidade de embriões suficientes para garantir uma gravidez segura”, afirma o médico. O médico acrescenta ainda que, o restante dos embriões que não forem transferidos ao útero, podem ser congelados para permitir uma futura gravidez sem ter que passar novamente pelo processo de estimulação dos ovários.

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