De irmão a super-herói

Conheça história de quem salvou a vida do irmão com um gesto de amor: a doação de medula óssea.

Tão pequena ainda, mas já foi promovida a heroína. É assim que Luiza agora é chamada, após doar sua medula óssea para curar o seu irmãozinho mais novo, Théo, de apenas 3 anos, de uma doença rara – a anemia de Blackfan Diamond.

A síndrome de Blackfan-Diamond, também denominada anemia de Blackfan-Diamond, faz com que o mau funcionamento da medula óssea resulte em anemia, que habitualmente manifesta-se no primeiro ano de vida. Os sintomas clínicos da anemia incluem fadiga, fraqueza e palidez.

Théo não foi diagnosticado com a síndrome no pré-natal, e com apenas 39 dias, teve que ser internado em uma UTI, em decorrência da doença. Após 3 anos de tentativas de tratamento sem sucesso, e busca por doador de medula óssea compatível, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, a 2.300 km de Petrolina (PE), cidade onde moravam, foi feito um teste de compatibilidade com a Luiza, e descobriu-se que ela era 100% compatível com o irmão.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a chance de compatibilidade entre irmãos é de apenas 30%. “O transplante de medula óssea aconteceu com sucesso, já são mais de 100 dias após o transplante, e Théo está evoluindo para a cura definitiva”, diz Cleônia Roberta M. Araújo, mãe dos pequenos. Para Cleônia, o vínculo entre irmãos possui um significado: compartilhar. E no caso dos irmãos Luiza e Théo agora tem um significado ainda maior. “Para eles compartilhar significa fé, superação e nova vida”, acrescenta.

Com os irmãos Lenir Tatiane Uhno, 34 anos, e José de Alencar Reis Junior, 42 anos, não foi diferente. José, irmão mais velho de Lenir também foi o seu doador de medula. Ela foi diagnosticada com leucemia linfoide aguda, em agosto do ano passado, e desde o diagnóstico foi informada que para o tratamento seria necessário realizar o transplante de medula. “Eu continuei fazendo as quimioterapias, fiquei 75 dias internada em Cascavel e em maio desse ano realizei em Curitiba o transplante”, conta Lenir.

Para a busca do doador de medula óssea, foi feito um teste de compatibilidade com os seus pais e dois irmãos, e o resultado do exame de Gilson deu 100% de compatibilidade. “Desde quando descobrimos a doença, era o maior desejo da vida do meu irmão ser compatível para ser meu doador. Então eu creio que o desejo de coração dele foi concedido por Deus. Tive o privilégio do meu irmão dar a minha vida de novo”, conta Lenir. Para Gilson esse gesto pode fazer toda a diferença. “Se você puder ser um doador, seja para seu parente ou não, faça isso, porque é muito importante para salvar a vida de quem precisa”, afirma.

Voltar